quarta-feira, 11 de julho de 2007

Carta de uma mãe para outra.


Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da Febem em São Paulo para outra dependência da Febem no interior do Estado.Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam com apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos.Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a um vídeo locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver se abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem, tá?

Divulguem este manifesto!

Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil!

Direitos humanos são para os humanos de Direito!

Colaboradora: Aline nascimento

2 comentários:

Anônimo disse...

A melhOr coisa qe eu ja li na minha vida..
Cadee Os DIREITOS? Cadee Os DEVERES?"ELES" sÓ tem direitos!assistentes socias pra que?

Ricardo Rodrigues disse...

pela sua dor, é uma contradição dizer como vc foi feliz nas suas palavras, mas vc precisa saber dá indignação e revolta e solidariedade pela sua perda, mas DEUS a de te dar conforto, ele nunca nos deixa só, inclusive nesses momentos de dor extrema.
Na realidade esse é o combustível pra tanta violência...